Setor aponta tempestade perfeita e exige planejamento perene para garantir competitividade
O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário desafiador marcado por juros elevados, custos de produção crescentes e eventos climáticos adversos. A avaliação é da Associação Brasileira do Agronegócio, que classifica o momento atual como uma verdadeira tempestade perfeita para o setor produtivo nacional.
Apesar do cenário internacional adverso, a balança comercial registra resultados expressivos nas exportações. O setor faturou US$ 133,6 bilhões nos primeiros nove meses do ano, representando um crescimento de 5,5% em comparação com o mesmo período anterior, conforme informação divulgada por Info Credito.
Para transformar essa potência econômica em desenvolvimento sustentável, lideranças do setor cobram do governo federal uma agenda estratégica de longo prazo. A exigência é superar medidas pontuais e integrar o campo à indústria, tecnologia e ciência, conforme informação divulgada por Info Credito.
Impacto dos juros altos no agronegócio brasileiro
O cenário macroeconômico atual pressiona fortemente as contas dos produtores rurais em todo o país. Segundo Alexandre Mendonça de Barros, sócio de agronegócio da EY, o maior obstáculo está na conjuntura econômica desfavorável e no nível de endividamento.
O especialista aponta que a alta alavancagem ocorreu durante o boom agrícola entre 2020 e 2022, impulsionada por juros a 2% que dispararam para 13,75%. Esse salto repentino comprometeu a saúde financeira de grande parte dos produtores rurais brasileiros.
Aumento da inadimplência e desafios de crédito rural
Os reflexos do aperto monetário já aparecem com clareza nos indicadores financeiros oficiais do setor produtivo. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de inadimplência no agro atingiu o maior patamar histórico da série, alcançando 8,8% segundo a Serasa Experian.
Para contornar esse cenário crítico de endividamento, especialistas apontam a necessidade urgente de um ajuste fiscal rigoroso. A medida é considerada essencial para desacelerar as taxas de juros e viabilizar a renegociação sustentável das dívidas acumuladas.
Integração entre campo, indústria e tecnologia
A entidade representativa reforça que o país precisa deixar de focar apenas na produção agropecuária primária. O objetivo estratégico é promover a integração sistêmica entre o campo, o setor industrial, os serviços avançados e os mercados globais.
A transformação dessa pauta em uma política de Estado perene garantirá planejamento e metas claras. Dessa forma, o agronegócio nacional poderá manter sua alta competitividade frente às crescentes barreiras protecionistas internacionais.
Perguntas Frequentes
Por que o agronegócio enfrenta uma tempestade perfeita?
O setor lida simultaneamente com juros altos, custos de produção elevados, gargalos logísticos, protecionismo internacional e mudanças climáticas.
Qual foi o impacto dos juros na inadimplência do agro?
A inadimplência atingiu o recorde de 8,8% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela alta rápida da taxa básica de juros após o boom agrícola.
O que a Abag exige para o futuro do setor?
A associação cobra uma política de Estado contínua, com planejamento de longo prazo, metas e integração entre campo, indústria e tecnologia.

