Relatório Orange Book aponta disparidade entre setores dependentes de crédito e áreas sustentadas por exportações
O Itaú apontou em seu relatório recente que a política monetária restritiva com taxas elevadas está forçando o mercado nacional a caminhar em ritmos desiguais, gerando um cenário de forte disparidade entre as empresas.
A pesquisa detalha que negócios com alta dependência de capital enfrentam forte freada, enquanto segmentos voltados para o consumo imediato mantêm alta resiliência, conforme informação divulgada por Info Credito.
O levantamento do banco teve base em dados coletados no mês de agosto com perguntas direcionadas a dezenas de setores sobre demanda, custos e investimentos para medir o impacto da taxa Selic.
Impacto da taxa Selic na economia brasileira
A instituição financeira detalhou no documento chamado Orange Book que o motivo principal para essa divisão é a forma distinta de financiamento, dividindo o mercado em dois grupos claros.
Setores de capital intensivo como a construção civil e a produção de bens de capital estão com os freios puxados por dependerem de crédito de longo prazo, o qual ficou restrito pelo patamar atual da Selic.
Serviços lideram demanda enquanto indústria recua
A análise mediu 34 setores e encontrou uma média de 6,3 pontos na demanda atual, sendo que nove áreas pontuaram sete ou mais, destacando o turismo com nota máxima e o setor de óleo e gás.
Em contrapartida, oito segmentos registraram nota até cinco, como aves e suínos, saneamento, papel e celulose, além do setor residencial e mineração, mostrando a clara retração nessas frentes específicas.
Perspectivas para o PIB e o consumo das famílias
Apesar do cenário restritivo para investimentos produtivos, segmentos de giro rápido sobrevivem amparados pelo mercado de trabalho apertado e pela alta resiliência da renda das famílias.
Atividades voltadas ao consumo imediato, como farmácias e alimentação, continuam operando sem precisar de grandes empréstimos para escoar sua oferta, mantendo-se imunes ao choque de juros atual.
Perguntas Frequentes
Por que a economia brasileira opera em duas velocidades?
A economia opera em duas velocidades porque os setores possuem formas distintas de financiamento, dividindo-se entre os que dependem de crédito de longo prazo e os que vivem do consumo imediato das famílias.
O que diz o relatório Orange Book do Itaú?
O Orange Book do Itaú revela que a taxa de juros restritiva freia investimentos em setores de capital intensivo, enquanto áreas como serviços e turismo seguem aquecidas pela renda das famílias.
Quais setores lideram a demanda segundo o Itaú?
Turismo, óleo e gás, varejo de vestuário e farmácias lideram a demanda atual, registrando notas elevadas na avaliação setorial realizada pelo banco Itaú em agosto.

