Gestor da Oaktree aponta que a alta dos rendimentos de títulos é estrutural e critica medidas do Tesouro americano
O mercado financeiro internacional debate as causas da recente disparada nas taxas dos títulos públicos norte-americanos de longo prazo, que atingiram os maiores patamares em quase duas décadas devido à intensa emissão de dívida pelo governo dos Estados Unidos.
Em memorando enviado a clientes nesta terça-feira, o cofundador da Oaktree Capital Management, Howard Marks, afirmou que os juros elevados não representam uma distorção de mercado, mas sim a fatura decorrente da falta de disciplina fiscal e do forte endividamento público, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
A avaliação do especialista contrapõe a visão oficial do secretário do Tesouro, Scott Bessent, e joga luz sobre os desafios estruturais enfrentados pela economia global diante de um déficit fiscal expressivo e de demandas bilionárias por capital no país.
Impacto das recompras do Tesouro americano
Para conter a alta histórica nos rendimentos do papel de 30 anos, o Tesouro dos Estados Unidos triplicou neste mês o limite das recompras de títulos longos, após elevações sucessivas nos meses anteriores que não surtiram o efeito desejado de estabilização.
Howard Marks criticou duramente a estratégia adotada pelas autoridades em Washington, comparando a iniciativa a uma tentativa paliativa que apenas mascara temporariamente um desequilíbrio fiscal profundo de US$ 40 trilhões.
Fatores estruturais e inflação persistente
Entre os principais vetores apontados pelo guru do mercado de crédito estão a inflação persistente agravada pelo petróleo caro, o déficit próximo a 6% do PIB e os gastos líquidos com juros que devem superar a marca de US$ 1 trilhão neste ano.
Além disso, o cenário macroeconômico global incorpora uma forte demanda por capital, impulsionada por investimentos em inteligência artificial e pela necessidade de o Tesouro colocar no mercado cerca de US$ 2 trilhões em emissão líquida nova.
Cenário para investimentos e o poder do dólar
Apesar dos alertas sobre a gestão fiscal americana, Marks descarta riscos iminentes de calote ou a necessidade de liquidar posições em ações na bolsa dos Estados Unidos, reforçando que o problema reside na política e não na solidez empresarial.
O especialista adverte, contudo, que o excesso de emissão de dívida pode corroer o poder de compra do dólar a longo prazo, exigindo mudanças estruturais que incluam o aumento da arrecadação e o controle efetivo sobre o crescimento dos gastos públicos.
Perguntas Frequentes
Por que os juros dos títulos de 30 anos subiram nos EUA?
A alta reflete os fundamentos econômicos, incluindo uma dívida federal de US$ 40 trilhões, déficit fiscal elevado e a necessidade de emissão de novos títulos pelo Tesouro americano.
O que Howard Marks pensa sobre as recompras de títulos?
O gestor da Oaktree compara a medida a uma bolsa de gelo em um paciente com febre, afirmando que a ação tem efeito apenas temporário e não ataca a origem do problema fiscal.
Existe risco de calote da dívida dos Estados Unidos?
Segundo Howard Marks, não há risco sério de calote, pois a dívida é emitida na moeda do próprio país, mas há preocupação com a corrosão do poder de compra do dólar.
Quais são as soluções apontadas para a crise fiscal americana?
Marks defende aumentar a arrecadação com alíquotas maiores no topo da renda, eliminar benefícios fiscais desnecessários e manter o crescimento dos gastos abaixo do avanço da economia.

