Papéis do Banco do Brasil registram alta no ano, mas grandes bancos mantêm recomendação neutra para os ativos estatais.
As ações do Banco do Brasil, negociadas sob o ticker BBAS3, registram leve alta acumulada de 3,7% no ano e de 4,45% no mês na Bolsa brasileira. O movimento recente dos investidores é guiado pela atenção voltada ao cenário político e às eleições futuras.
Apesar do desempenho positivo no curto prazo, os papéis perderam força nas últimas sessões. O mercado financeiro demonstra cautela redobrada com as perspectivas operacionais para a instituição financeira estatal nos próximos anos, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
Diante desse cenário de incertezas, grandes instituições financeiras como Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI reiteraram recentemente a recomendação neutra para os ativos BBAS3, ajustando suas projeções de lucro e preço-alvo para o médio prazo.
Revisão de lucros do JPMorgan para BBAS3
O JPMorgan revisou seus números para BBAS3 considerando os resultados do segundo trimestre de 2026 e o cenário desafiador para o crédito rural. Para 2026, a estimativa de lucro recorrente foi cortada em 8%, chegando a R$ 16,879 bilhões, o que implica um retorno sobre o patrimônio líquido de cerca de 9%.
Para 2027, a projeção de lucro recorrente caiu 12%, para R$ 23,524 bilhões, representando uma recuperação esperada de 39% na base anual com ROE de aproximadamente 12%. Com isso, o banco reduziu o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 25 para R$ 22 por ação, mantendo recomendação neutra para o ativo.
Desafios no agronegócio e inadimplência
Os principais fatores que motivaram a revisão para baixo incluem o aumento das provisões, a menor margem financeira de mercado e receitas mais fracas de participações societárias como a BB Seguridade. A inadimplência de 90 dias em cartões de crédito saltou 7,5 pontos percentuais no último trimestre na instituição.
A principal incerteza para o Banco do Brasil continua sendo a carteira do agronegócio, cuja perspectiva depende da adesão à MP 1.376. A inadimplência acima de 90 dias para pessoas físicas subiu para 8,41%, enquanto nos cartões atingiu 14,6%, pressionando os resultados futuros.
Projeções do Itaú BBA e cenário eleitoral
O Itaú BBA elevou discretamente o preço-alvo para BBAS3 de R$ 21 para R$ 23, mantendo a recomendação marketperform. Os analistas apontam que as premissas de provisão permanecem acima do guidance oficial divulgado pela administração do banco estatal brasileiro.
A administração projeta um custo de risco abaixo de 5% em 2027 e de cerca de 3,5% no longo prazo. Analistas do mercado avaliam que ponderar a volatilidade eleitoral representa atualmente a abordagem mais equilibrada para lidar com o investimento nas ações do banco.
Perguntas Frequentes
Qual é a recomendação atual para as ações BBAS3?
Grandes instituições financeiras como Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI mantêm recomendação neutra para as ações BBAS3 do Banco do Brasil.
Por que o JPMorgan cortou a estimativa de lucro do Banco do Brasil?
O corte ocorreu devido a maiores provisões, aumento na inadimplência de cartões de crédito, menor margem financeira e desafios no crédito ao agronegócio.
Qual é o preço-alvo estipulado pelo JPMorgan para BBAS3?
O JPMorgan reduziu o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 25 para R$ 22 por ação, mantendo a recomendação neutra para o papel estatal.
Como está o desempenho das ações do Banco do Brasil no ano?
As ações BBAS3 registram alta leve de 3,7% no ano e de 4,45% no mês, impulsionadas pela atenção dos investidores voltada ao cenário eleitoral.

