Quem compara empréstimos olhando apenas a taxa de juros pode escolher uma proposta mais cara sem perceber. O motivo é simples: a taxa não mostra sozinha todas as despesas da operação. Tarifas, tributos, seguros e cobranças associadas podem aumentar o valor financiado e o total que sairá do bolso.

O Custo Efetivo Total foi criado justamente para reunir esses gastos em um único percentual. A instituição deve apresentar o CET antes da contratação, tanto em termos mensais quanto anuais. Ele não elimina a necessidade de ler o contrato, mas oferece uma referência mais completa para comparar operações de mesmo valor e prazo.

O que entra no CET

O cálculo considera os juros e os demais encargos obrigatórios da operação. Isso pode incluir Imposto sobre Operações Financeiras, tarifas permitidas, custos de cadastro quando aplicáveis e seguros vinculados à contratação. Se parte dessas despesas for descontada antes da liberação, o cliente pode receber menos dinheiro do que o valor nominal do contrato.

Por essa razão, duas propostas com a mesma taxa anunciada podem ter CETs diferentes. A oferta com taxa menor também pode terminar mais cara se cobrar outros valores. Para uma comparação justa, use o mesmo montante, a mesma quantidade de parcelas e datas próximas de contratação.

Como ler uma simulação

Comece pelo valor que será efetivamente creditado na conta. Depois, anote a parcela, o prazo, o CET mensal, o CET anual e a soma de todos os pagamentos. Se houver seguro ou serviço adicional, pergunte se ele é opcional, quanto custa e como fica a proposta sem esse item.

Valor líquido recebido pelo cliente.

Quantidade e valor das parcelas.

Total pago até o fim do contrato.

CET mensal e anual.

Multa, juros de mora e outras consequências do atraso.

Parcela baixa não significa crédito barato

Alongar o prazo reduz a prestação porque distribui a dívida por mais meses. Isso pode ser necessário para caber no orçamento, mas tende a elevar o total de juros. Uma simulação de 48 meses, por exemplo, não deve ser comparada apenas pela parcela com outra de 24 meses. O custo final e o tempo de exposição à dívida são diferentes.

Também é importante preservar margem para despesas inesperadas. Uma parcela que ocupa todo o valor atualmente disponível torna o orçamento frágil. Se a renda cair ou uma conta aumentar, o consumidor pode atrasar o contrato e acrescentar encargos a uma dívida que já era longa.

A melhor proposta depende do seu fluxo de caixa

O menor CET costuma representar o menor custo para condições equivalentes, mas a decisão também deve considerar a previsibilidade da renda. Uma prestação mais alta e curta pode economizar juros, porém não funciona se comprometer as contas essenciais. Por outro lado, escolher o maior prazo por hábito pode gerar um gasto desnecessário.

Monte dois cenários antes de assinar. No primeiro, considere um mês normal. No segundo, reduza a renda ou acrescente uma despesa imprevista. Se a parcela se tornar impossível no segundo cenário, diminua o valor solicitado, amplie a entrada de recursos próprios ou adie a contratação.

Perguntas frequentes

CET e taxa de juros são a mesma coisa

Não. A taxa de juros é um componente do preço. O CET reúne juros e demais despesas obrigatórias da operação em um percentual comparável.

O banco precisa informar o CET

Sim. A informação deve aparecer antes da contratação e no contrato, permitindo que o consumidor conheça o custo total da operação.