Queda histórica na conta de luz e alimentos mais baratos abrem caminho para nova redução de juros pelo Banco Central.

A inflação brasileira registrou um recuo expressivo no mês passado, surpreendendo positivamente o mercado financeiro e movimentando as expectativas para a próxima reunião econômica.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, caiu 0,32% em agosto, marcando a maior deflação mensal em quatro anos, conforme dados divulgados pelo IBGE.

O resultado foi impulsionado por um desconto histórico na conta de luz e pela queda generalizada nos preços dos alimentos, conforme informação divulgada por INFOMONEY.

Impacto do bônus de Itaipu na energia

O principal fator para a deflação de agosto foi o chamado bônus de Itaipu, um valor distribuído aos consumidores de eletricidade devido a um saldo positivo na conta de comercialização da usina.

Segundo o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves, esse abatimento fez os preços da energia elétrica residencial despencarem 7,63%, a maior queda para meses de agosto desde o Plano Real.

Além da energia, passagens aéreas e combustíveis registraram baixas importantes, com recuos de 13,17% e 0,59% respectivamente, ajudando a puxar o índice oficial para baixo.

Queda nos preços dos alimentos frescos

O grupo de alimentação e bebidas acumulou o terceiro mês consecutivo de queda, ajudado pelo período favorável à safra de produtos in natura entre os meses de maio e agosto.

O item de alimentação em domicílio recuou 0,61%, com destaque para reduções expressivas em hortaliças e legumes como batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate.

Especialistas alertam, no entanto, que o alívio nos supermercados pode terminar em breve com a chegada de novos fatores climáticos desfavoráveis no final do ano.

Expectativas para a taxa Selic no Copom

Com a inflação controlada no curto prazo, analistas econômicos reforçam as apostas de que o Banco Central realizará um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.

A decisão será tomada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, com a taxa básica de juros atualmente situada em 14% ao ano no país.

Apesar da trégua nos preços, economistas como Cláudia Moreno, do banco C6, alertam que o mercado de trabalho aquecido e o fenômeno El Niño trazem riscos inflacionários futuros.

Perguntas Frequentes

Qual foi o resultado da inflação em agosto?

O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, configurando a maior queda mensal para o índice em quatro anos, conforme dados do IBGE.

Por que a conta de luz ficou mais barata em agosto?

A energia elétrica residencial caiu 7,63% devido ao bônus de Itaipu, um desconto repassado aos consumidores gerado pelo saldo positivo na comercialização da usina.

O que deve acontecer com a taxa Selic na próxima reunião?

A deflação de agosto aumentou as apostas do mercado financeiro para mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Copom.

Quais alimentos registraram as maiores quedas de preço?

As principais baixas no IPCA ocorreram em itens como batata-inglesa, cenoura, cebola, tomate, ovo de galinha e café moído.