Investigação no CNJ aponta decisões favoráveis do TRF-1 e laços com Daniel Vorcaro e Nunes Marques
O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, proferiu votos favoráveis ao Banco Master em processos judiciais envolvendo usinas de açúcar e álcool. As decisões ocorreram meses antes de sua família firmar um contrato milionário com a instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.
A representação foi protocolada no Conselho Nacional de Justiça pelo advogado Alex Ferreira Borralho, que solicita a abertura de uma investigação rigorosa sobre a conduta funcional do magistrado. O caso levanta suspeitas de conexões econômicas profundas entre o Poder Judiciário e interesses privados do banco, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
As decisões sob escrutínio foram tomadas em julgamentos colegiados da 11ª Turma do TRF-1, beneficiando diretamente uma usina em recuperação judicial ligada aos interesses creditórios do Banco Master. A defesa do desembargador alega que o primeiro julgamento ocorreu em bloco e sem indicação prévia de vínculo com a instituição financeira.
Votos no TRF-1 beneficiaram usinas ligadas ao Banco Master
O primeiro voto favorável do desembargador Newton Ramos ocorreu em sessão virtual realizada de 22 a 26 de janeiro de 2024, quando a turma limitou uma perícia contábil em processo contra a União. O segundo voto, proferido entre 3 e 7 de junho de 2024, manteve a restrição nos cálculos indenizatórios bilionários cobrados na Justiça.
Contrato milionário da família com a instituição financeira
Cerca de seis meses após os votos, a esposa do magistrado, Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, e o filho Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos firmaram procurações e contrato de honorários com o Banco Master. O acordo previa pagamentos de até R$ 427 milhões em caso de êxito em ações judiciais que somavam R$ 8,5 bilhões no mesmo segmento de usinas.
Proximidade com o ministro Nunes Marques do STF
O magistrado investigado mantém forte relação de proximidade com o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, tendo atuado como juiz auxiliar em sua gestão na vice-presidência do TRF-1. Viagens conjuntas e repasses financeiros envolvendo o filho do ministro também são alvos de apurações jornalísticas anteriores.
Posicionamento oficial do desembargador federal
Em sua defesa, o desembargador Newton Ramos esclareceu que o primeiro agravo de instrumento foi julgado em bloco com cerca de 300 processos. Ele afirmou que não havia indicação de interesse do Banco Master no momento do julgamento e que o impedimento legal foi devidamente anotado posteriormente.
Perguntas Frequentes
Qual é a acusação contra o desembargador Newton Ramos?
O desembargador é investigado no CNJ por proferir votos favoráveis ao Banco Master no TRF-1 antes de sua família fechar um contrato de honorários de até R$ 427 milhões com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Quem representou a família do magistrado no contrato com o Banco Master?O contrato bilionário foi firmado pela advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, esposa do desembargador, e por seu filho Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos, no final de 2024.
Qual é a relação entre Newton Ramos e o ministro Nunes Marques?
Newton Ramos foi juiz auxiliar de Nunes Marques no TRF-1 entre 2018 e 2020, com quem mantém laços de proximidade política e pessoal, incluindo viagens conjuntas reveladas pela imprensa.

