Entenda como o medo das mudanças climáticas impacta a rotina e o planejamento de futuro dos brasileiros.

A preocupação excessiva com o futuro do planeta deixou de ser um medo pontual e passou a interferir de forma persistente na vida cotidiana de muitas pessoas. O receio de eventos extremos e a angústia diante das transformações ambientais afetam diretamente a saúde mental e o bem-estar da população.

Especialistas apontam que, quando esse sofrimento se torna frequente e compromete a rotina, está associado à ecoansiedade, termo que descreve os impactos emocionais da crise climática. Embora não seja um diagnóstico clínico oficial, o quadro provoca sintomas como insônia, tristeza e crises de pânico, conforme informação divulgada por INFOMONEY.

O fenômeno ganha relevância em meio a pesquisas recentes sobre saúde mental e meio ambiente no Brasil e no mundo. Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do Instituto Cactus revelam que a maioria da população já percebe ou vivencia os impactos diretos das alterações climáticas na própria rotina.

O impacto dos eventos extremos na mente

Para a designer Jéssica Alcântara, de 30 anos, moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense do Rio, a ecoansiedade surgiu após enfrentar uma microexplosão em 2022. A força das rajadas de vento destruiu parte da estrutura de sua casa e a deixou presa no segundo andar.

Nos meses seguintes, a apreensão com a previsão do tempo gerou crises intensas de ansiedade, levando-a a buscar acompanhamento psicológico. Atualmente, o clima interfere até em suas decisões de moradia, priorizando locais que ofereçam maior segurança contra enchentes e desastres naturais.

Preocupação que afeta o futuro e as escolhas

O cientista político Diogo Feliciano, de 30 anos, residente em São Paulo, nunca passou por um evento extremo, mas convive com a ecoansiedade pela antecipação do perigo. A situação molda seus hábitos diários, como evitar o uso de carros e recusar o consumo de fast fashion.

A crise climática também alterou seus planos pessoais de longo prazo, gerando dúvidas sobre a estabilidade do planeta nas próximas décadas. Diogo relata sentir impotência diante de grandes corporações e do avanço de projetos tecnológicos que pressionam os recursos naturais da Terra.

Como lidar com a angústia climática

Para mitigar o sofrimento gerado pela crise ambiental, especialistas sugerem transformar a preocupação em ações práticas. A vice-diretora do Instituto de Psicologia da Uerj, Laura Cristina de Toledo Quadros, indica iniciar com medidas individuais na rotina doméstica.

A participação em iniciativas comunitárias, projetos de educação ambiental e mobilizações por políticas públicas também ajuda a resgatar a sensação de controle. O professor William Berger, da UFRJ, reforça que estratégias voltadas ao engajamento fortalecem a resiliência emocional diante das incertezas.

Perguntas Frequentes

O que é ecoansiedade?

É o termo usado para descrever o medo crônico e os impactos emocionais relacionados à crise climática, provocando sintomas como angústia e insônia.

A ecoansiedade é considerada uma doença?

Não. A condição não é um diagnóstico clínico oficial ou transtorno psiquiátrico reconhecido pelo manual DSM, mas causa sofrimento real.

Quais são os principais sintomas da ecoansiedade?

Os sintomas incluem tristeza persistente, irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração e crises de ansiedade ou pânico.

Como é possível combater a ecoansiedade no dia a dia?

Especialistas recomendam transformar a preocupação em ação, adotando práticas sustentáveis individuais, coleta seletiva e participação comunitária.