Inteligência artificial automatiza tarefas operacionais no Brasil, mas o recrutamento e as promoções ainda dependem de revisão humana

A inteligência artificial já está presente na rotina dos departamentos de Recursos Humanos de grande parte das empresas no Brasil, transformando a execução de tarefas diárias. O avanço tecnológico permite que os profissionais ganhem agilidade em processos burocráticos, embora o controle final continue sob a responsabilidade das equipes de gestão e liderança das companhias.

Os dados foram revelados por um levantamento realizado em agosto durante o CONARH 2026, promovido em parceria pela consultoria LG lugar de gente e pela FIA Business School. A investigação ouviu 1.130 profissionais de 26 estados brasileiros e de mais de 40 segmentos da economia, conforme informação divulgada por INFOMONEY.

O estudo aponta que 94% dos profissionais do setor utilizam a tecnologia, mas concentram o uso em atividades operacionais e repetitivas. A restrição demonstra que a inteligência artificial ainda não substitui a responsabilidade de quem contrata, promove ou desliga colaboradores nas organizações.

Impacto da automação na rotina do RH

Com o uso de ferramentas automatizadas, os profissionais estimam economizar uma média de 5,4 horas por semana, o equivalente a 12% da jornada semanal dedicada a burocracias. O avanço de agentes capazes de executar processos complexos pode elevar esse ganho para 8,4 horas semanais, alcançando até 31% da jornada de trabalho.

Segundo Maria Paula Oliveira, diretora de Gente, Jurídico e Compliance da LG lugar de gente, a utilização cresceu fortemente em atividades de apoio. A seleção de profissionais lidera a adoção, com 39% dos entrevistados usando a tecnologia na triagem de currículos e no recrutamento inicial.

Uso de chatbots e triagem de currículos

Outros 38% dos participantes empregam chatbots no atendimento interno aos funcionários, enquanto 31% utilizam sistemas para a produção de textos e apresentações corporativas. Por outro lado, apenas 21% aplicam inteligência artificial como suporte direto à tomada de decisões e 20% recorrem a análises preditivas.

Para Heliana Silva, country manager da SGF Global no Brasil, a principal contribuição da tecnologia é trazer escala e velocidade. A automação organizada permite que o recrutador receba dados estruturados e concentre seus esforços na análise qualitativa e na decisão final.

Riscos éticos e limites da tecnologia

A transição para decisões sobre pessoas envolve desafios regulatórios e éticos, como a necessidade de evitar vieses algorítmicos herdados de dados históricos. A Organização Internacional do Trabalho alertou que sistemas automatizados podem reproduzir desigualdades e criar riscos jurídicos para empresas e trabalhadores.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados garante o direito à revisão humana em decisões automatizadas que afetem o perfil profissional. Além disso, fatores humanos como motivação, capacidade de colaboração e adaptação exigem sensibilidade que vai além da pontuação técnica gerada por algoritmos.

Perguntas Frequentes

Qual é o impacto da IA no tempo de trabalho do RH?

Profissionais de Recursos Humanos economizam cerca de 5,4 horas por semana com a automação de tarefas operacionais, podendo alcançar 8,4 horas com novas ferramentas.

A inteligência artificial já decide contratações e demissões?

Não, apenas 21% dos profissionais utilizam a tecnologia como suporte a decisões, sendo a revisão humana obrigatória em escolhas sobre promoções e desligamentos.

Quais são os principais usos da IA no departamento de pessoal?

A tecnologia é aplicada principalmente na triagem de currículos, atendimento interno por chatbots e na produção de textos e apresentações corporativas.

Quais riscos o uso de algoritmos apresenta para o RH?

Especialistas e a Organização Internacional do Trabalho alertam para o risco de reprodução de vieses humanos e distorções em bases de dados históricas.