Especialistas alertam que viver mais exige novas fontes de renda e transições de carreira.

O aumento da expectativa de vida impôs novos desafios ao planejamento financeiro, sendo os custos crescentes de cuidados na velhice o principal deles. O cenário exige uma revisão profunda do conceito tradicional de aposentadoria, baseado apenas no acúmulo de patrimônio.

O alerta foi feito durante o painel sobre os desafios da economia prateada no Congresso Planejar 2026, evento que debateu a preparação financeira para a fase de pós-aposentadoria dos clientes diante da chegada iminente aos 90 anos de idade, conforme informação divulgada por INFOMONEY.

Participaram da discussão o planejador financeiro CFP Flávio Pretti e o médico geriatra e doutor em saúde coletiva Daniel Azevedo, apontando que depender exclusivamente de investimentos passivos já não garante sustentabilidade financeira a longo prazo.

Desafios da economia prateada

Para os especialistas, o planejamento financeiro moderno deve ir muito além do manejo de recursos tradicionais. É preciso incorporar novas fontes de renda, planejar transições de carreira e garantir a relevância profissional contínua ao longo das décadas.

Segundo Flávio Pretti, o mercado financeiro é fundamental para preservar o poder de compra, mas sozinho não responde às demandas de uma vida longa. O profissional precisa ser desejado pelo mercado e manter sua empregabilidade ativa por mais tempo.

O mercado de trabalho para seniores

Apesar da necessidade de prorrogar a vida ativa, o mercado corporativo ainda demonstra grande resistência na absorção de trabalhadores mais velhos. O setor bancário, citado por Flávio Pretti, ilustra a dificuldade de permanência em cargos executivos após os 60 anos.

A discussão ressalta que a longevidade exige capacidade de reinvenção contínua. Manter-se saudável para trabalhar não basta, sendo obrigatório garantir que a experiência acumulada se traduza em valor real e contínuo para as empresas.

Novas trajetórias profissionais

Como alternativa ao modelo linear de trabalho, o médico Daniel Azevedo destacou conceitos do livro A Vida de 100 Anos, escrito pelos economistas Lynda Gratton e Andrew Scott. A obra propõe revisões profundas nas trajetórias profissionais.

Entre as soluções apontadas estão a adoção de jornadas de trabalho reduzidas, a atuação como consultor independente e o desenvolvimento de uma segunda carreira após longos anos dedicados à mesma atividade econômica.

Perguntas Frequentes

Por que o patrimônio acumulado não basta para viver até os 90 anos?

Porque os custos crescentes com saúde e cuidados na velhice superam o rendimento tradicional, tornando indispensável a geração contínua de renda.

O que foi discutido no Congresso Planejar 2026 sobre longevidade?

Especialistas debateram os impactos da economia prateada e a necessidade de rever o planejamento financeiro e as transições de carreira na pós-aposentadoria.

Como manter a empregabilidade na maturidade segundo os especialistas?

Buscando novas fontes de renda, jornadas reduzidas, atuações como consultor e a transição para uma segunda carreira ao longo da vida.