Estudo da Planejar revela que brasileiros buscan resolver dívidas e metas de vida enquanto o setor oferece investimentos complexos.
O mercado financeiro brasileiro costuma chegar tarde ao diálogo com potenciais clientes porque aborda a população oferecendo produtos, enquanto a maior prioridade das pessoas é resolver problemas concretos do cotidiano.
A revelação faz parte do estudo O que a Faria Lima não Vê, desenvolvido pela Timelens para a Planejar e apresentado nesta quinta-feira (17) no Congresso da Planejar 2026, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
O levantamento analisou bilhões de perguntas indexadas e milhões de consultas únicas ao longo de cinco anos para entender o comportamento real dos consumidores no ambiente digital brasileiro.
Descompasso entre mercado e consumidor
Segundo a pesquisa apresentada por Renato Dolci, diretor de dados da Timelens, 76,1% das perguntas sobre finanças começam por uma situação vivida ou um objetivo, e apenas 14,6% partem de um produto específico.
Para Dolci, colunista do InfoMoney, o setor financeiro muitas vezes responde com termos técnicos e ativos descolados da realidade, enquanto o cidadão comum busca apenas organizar o orçamento ou sair do vermelho.
O especialista reforça que ninguém acorda desejando um CDB ou um financiamento imobiliário específico, mas sim um futuro seguro, a compra de um imóvel ou a realização de um sonho pessoal.
Jornada digital e pesquisa independente
Outro dado relevante do estudo aponta que 81,9% da jornada de decisão financeira ocorre de forma isolada no ambiente digital, antes que o cliente busque qualquer tipo de consultoria profissional.
Isso significa que, quando o consumidor finalmente decide conversar com um planejador financeiro ou assessor de investimentos, ele já pesquisou exaustivamente e praticamente tomou sua decisão.
A pesquisa reforça que o ponto mais fraco das finanças da população envolve a criação de reservas para imprevistos, recebendo avaliações intermediárias mesmo em recortes das classes A, B e C.
Ferramentas de proteção e planejamento
O congresso também debateu soluções complementares, a exemplo de parcerias para fornecer seguros escolares capazes de unir a cobertura de despesas médicas com a garantia de continuidade dos estudos.
Essas alternativas demonstram como o mercado pode se aproximar das reais necessidades das famílias, oferecendo amparo concreto em momentos de emergência com os estudantes até o ensino médio.
A adaptação das instituições financeiras a essa linguagem voltada para objetivos de vida tende a aproximar o setor do cidadão que busca estabilidade, organização e realizações de longo prazo.
Perguntas Frequentes
O que diz o estudo O que a Faria Lima não Vê?
O levantamento aponta que o mercado financeiro foca em vender produtos, enquanto a maioria dos brasileiros busca resolver dívidas, organizar o orçamento e realizar sonhos.
Qual é o principal foco de busca dos brasileiros na internet?
Segundo a pesquisa da Timelens e Planejar, 76,1% das perguntas sobre finanças iniciam a partir de situações vividas ou objetivos de vida, e não de produtos específicos.
Como ocorre a jornada de decisão financeira do cliente?
O estudo mostra que 81,9% do processo de decisão acontece de forma independente no ambiente digital antes do contato com assessores ou planejadores financeiros.

