O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, destacou na Febraban Tech 2026, em São Paulo, que o Pix tem ampliado o acesso ao crédito e promovido a inclusão financeira no Brasil. Galípolo buscou desmistificar o argumento de que o sistema de pagamento instantâneo, criado em 2020, compete diretamente com as bandeiras de cartão de crédito.
Pix e o crescimento do cartão de crédito
Dados do Relatório de Cidadania Financeira do BC indicam que, desde a implementação do Pix, houve um crescimento significativo no acesso ao crédito, acompanhado por um forte uso do cartão de crédito. Dos 96 milhões de usuários de cartão no país, mais da metade possui dívidas nesse meio de pagamento. Entre 2020 e 2024, período que coincide com os primeiros cinco anos do Pix, 37 milhões de brasileiros passaram a utilizar cartão de crédito.
Inclusão financeira e Pix
O Pix também tem sido um motor para a inclusão financeira. Segundo Galípolo, em dezembro de 2023, três anos após o lançamento da plataforma, 74% dos adultos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) já haviam registrado uma chave Pix. Além disso, 72% realizaram pelo menos um pagamento por essa modalidade ao longo do ano. O presidente do BC ressaltou que o processo de inclusão bancária, que antes apresentava uma curva de crescimento estável, acelerou consideravelmente com a inovação do Pix, beneficiando especialmente a população de baixa renda.
Endividamento e juros no crédito
Galípolo também abordou o cenário de aumento dos juros e do endividamento das famílias brasileiras. A taxa de juros no crédito rotativo do cartão de crédito atingiu 15,13% ao mês, e no parcelamento com juros, chegou a 9,3%. O relatório do BC aponta que 54% da população adulta tem sua renda comprometida com gastos no cartão de crédito. O presidente do BC avalia que esse risco transcende a infraestrutura de pagamentos e o próprio Pix, misturando-se à dificuldade de acesso ao crédito em um cenário de juros altos. Ele mencionou que a redução desse custo é um objetivo desejável para as instituições financeiras e bandeiras de cartão, sendo uma característica do arranjo de pagamentos brasileiro que gera problemas.
