Banco Central avalia impacto do crédito de maior risco no orçamento das famílias brasileiras

O Banco Central ligou o sinal amarelo para o avanço acelerado do endividamento das famílias brasileiras, mesmo em um cenário econômico de melhora no mercado de trabalho e queda no desemprego.

O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, apontou um descompasso preocupante durante o evento Febraban Tech 2026, realizado em São Paulo, ao destacar que o crédito de maior risco continua crescendo em modalidades com juros elevados.

Para conter o problema, a autoridade monetária prepara novas medidas regulatórias, conforme informação divulgada por seudinheiro.

Impacto do Pix no acesso ao crédito

O avanço do endividamento está diretamente ligado às transformações recentes no sistema financeiro, impulsionadas principalmente pelo Pix, que funcionou como uma importante porta de entrada para a bancarização no país.

Segundo o presidente do Banco Central, a inclusão financeira foi um passo fundamental, mas o cenário atual exige maior conscientização dos consumidores sobre o uso adequado das linhas de crédito disponíveis no mercado.

Crescimento do cartão de crédito e rotativo

Os dados apresentados por Gabriel Galípolo mostram que 52,8 milhões de usuários acumulam dívidas no rotativo ou em parcelamentos, de um total de 96 milhões de clientes da modalidade no Brasil.

O comprometimento da renda com o cartão de crédito chegou a 54%, enquanto a taxa média de juros cobrada no rotativo alcança patamares expressivos de 15,1% ao mês no sistema financeiro nacional.

Aumento preocupante no consignado privado

Outro ponto de atenção para o Banco Central é a expansão expressiva da carteira de crédito consignado privado, que saltou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões em um intervalo recente.

Com essa alta expressiva de 145%, a inadimplência na modalidade subiu de 5% para 6,7%, e a taxa média de juros passou de 40,9% para 57% ao ano no período analisado.

Empréstimo pessoal sem garantia

As operações de crédito pessoal sem garantia também entram na mira da autoridade monetária, registrando uma carteira de aproximadamente R$ 275 bilhões sem colateral no país.

O custo dessas operações reflete o risco elevado para o consumidor, com taxas que disparam de cerca de 27% ao ano com garantia para mais de 140% nas modalidades sem nenhum tipo de respaldo.

Perguntas Frequentes

Por que o endividamento das famílias preocupa o Banco Central?

O endividamento preocupa porque o crédito está crescendo em modalidades de consumo efêmero e juros altos, mesmo com a melhora na renda e a queda no desemprego.

Quais modalidades de crédito estão na mira do Banco Central?

O Banco Central monitora de perto o cartão de crédito rotativo, o crédito consignado privado e os empréstimos pessoais sem garantia.

O que o Banco Central planeja fazer para conter o endividamento?

O presidente Gabriel Galípolo afirmou que a instituição prepara novas medidas para lidar com o avanço do crédito de maior risco e promover a educação financeira.

Qual é o impacto do Pix no endividamento segundo o BC?

O Pix facilitou o acesso de milhões de brasileiros ao sistema financeiro, o que acabou ampliando a exposição a produtos como o cartão de crédito.